Se não há Um...: a relação do outro com o outro na Sétima Tese da Segunda hipótese do Parmênides de Platão
Abstract
O presente ensaio tem como objetivo examinar o problema colocado na Sétima Tese da Segunda Hipótese do Parmênides de Platão. A citada hipótese centra-se na relação dos outros com o outro, voltando assim para a Terceira Tese, mas, desta vez, sem o apoio do Um para impedir a fragmentação. Assim, toda a percepção da realidade sofre um processo de deriva, descrito por Parmênides como “um sonho durante o sono”, no qual cada um dos outros “de Um que parecia se revela multíplice, de pequeníssimo um todo enorme”. O sonho, no entanto, apresenta características muito precisas destes conjuntos: entre elas, o fato de “ter o número” e “aparecer no seu interior o par e o ímpar”. O “sonho numérico” de Parmênides pode ser uma importante chave de leitura para compreender a consistência histórico-teórica da Sétima Tese, especialmente quando visto à luz do debate ontológico e matemático que ocupa o Quinto Século, antes de Platão.