Abstract
Resumo: Entre 1450 e 1750, na Europa e nas suas colônias, milhares de mulheres, mas não só, foram processadas pelo crime de bruxaria. A acusação se baseava em fofocas difundidas e muitas vezes acreditadas pela “má fama” dos acusados. Seria redutivo atribuir toda a responsabilidade a um complexo de crenças fruto de uma desordem mental generalizada. A caça às bruxas foi uma combinação de intervenções precisas e racionalizadas que objetivavam construir o espectro do monstro demoníaco. O tribunal inquisitório, formalmente obstinado, na busca do crimine exceptum se transformou em um mecanismo infernal: uma engrenagem que produzia culpados. Poucos se deram conta do que estava acontecendo. Os mais doutos puseram à disposição a sua doutrina para sustentar culturalmente carnífices. Mas houve um pequeno rebanho que não se deixou envolver nesta “embriaguez”. Entre estes se encontrava um confessor de bruxas: o jesuíta alemão Friedrich von Spee. Redescobrir o seu pensamento, a sua doutrina, o seu empenho e a sua vida significa realizar uma obra obrigatória de reparação a um injustificado esquecimento. Mas também contribuir, com novos elementos, ao debate sobre o papel da Igreja Católica na “caça às bruxas”. Palavras-chave: Bruxas. von Spee. Exoterismo.