Abstract
A grande inovação de Schopenhauer em teoria do conhecimento tem relação intrínseca com a questão moral relacionada à consideração efetiva do animal não humano. O papel do intelecto é central em Schopenhauer e não recede o mesmo valor em Kant e, deste modo, Schopenhauer critica a noção de dignidade kantiana, fundamentada na valorização exacerbada da razão e na noção de autonomia. Para Schopenhauer, todo ser dotado de entendimento e vontade é digno porque opera intuitivamente e em conformidade com a lei de motivação. Quem opera fazedo uso da intuição, opera segundo motivos, concepção que aproxima, em alguma medida, Schopenhauer e teóricos da bioética como Richard Ryder e Peter Singer. Para Singer, a noção de interesse é suficiente para que tratemos os animais de forma digna. Deste modo, o propósito central deste artigo está na argumentação de que a teoria do conhecimento schopenhaueriana - edificada a partir de sua crítica à Kant - fundamenta a ética das relações entre humanos e animais não racionais.